Como é difícil ser adulta!
Como às vezes é difícil ter que tomar decisões. Saber fazer pela primeira vez coisas que nunca fiz antes. Ok, para tudo tem a primeira vez! Mas não deixa de ser difícil e de dar um tremida nas pernas!
Negociar um apartamento por exemplo!
Os mil documentos que pedem, as mil certidões, a burocracia interminável! Palavras que viram rotina e que até então nem faziam parte do meu vocabulário!
Saber ver se encanamentos funcionam, se os azulejos estão direitos, se o iptu é caro, se a água quente funciona, se o valor do condomínio corresponde, se as portas dos armários estão boas, se a vizinhança é tranqüila, se os armários são suficientes... cada detalhe, cada passo, tudo tem que ter muita atenção.
Ás vezes da saudade de quando podíamos deixar nossos pais decidirem por nós. E pensar que nessa época tudo o que sonhávamos era em ser indepentendes! Contraditório não!
Mas, ao mesmo tempo é uma realização ver coisas acontecendo, ver sua vida tomando rumo e você passa a ter tantas responsabilidades que nem se dá conta de que já é a hora. E que nessa hora você percebe o quanto esta feliz e que toda essa burocracia faz parte de um processo muito bom! E que se os outros fossem decidir por você, não teria a menor graça!
São vários ap’s vistos por dia. Tem tanta porcaria, tanto enrola daqui, enrola dali.
É corretor que atrasa, que fura, uma falta de profissionalismo.
E quando nos empolgamos com algo e achamos que vai dar certo, temos que estar preparados para o baque de não ser bem aquilo que esperávamos.
Acontece! Foi a primeira vez.
Talvez não seja a última.
Dá uma dorzinha lá dentro em dizer “adeus” para algo que gostou tanto, que já tinha criado uma história, que já imaginava os móveis pela casa, mas que se não dá, não tem jeito!
É hora de colocar os pés no chão e seguir em frente!
Assim é a vida. Temos que nos adaptar a ela e tornar cada parte do processo prazeroso e esperar pelo “ap” ideal, dos sonhos.
Porque independente do que pensava antes, agora acredito sim, que sonhos podem se tornar realidade!
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
As it is difficult to be adult!
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Ó Abre Alas!
Ó Abre-Alas, que eu quero passar. Ó Abre-Alas que eu quero passar
Allah-la-ô, ô ô ô, ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô, ô ô ô
Mande água pra Ioiô , Mande água pra Iaiá
Allah, meu bom Allah
Se você fosse sincera, Ô ô ô ô, Aurora
Veja só que bom que era , Ô ô ô ô , Aurora
Mas, O teu cabelo não nega mulata. Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega mulata. Mulata eu quero o teu amor
Chiquita bacana lá da Martinica
Hei você aí me dá um dinheiro aí
Não vai dar. Não vai dar não. Você vai ver que grande confusão
Eu vou beber. Beber até cair. Me dá, me dá. me dá, oi
Me dá um dinheiro aí
Chegou a turma do funil. Todo mundo bebe
Mas ninguém dorme no ponto. Ai, ai, ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles ficam tontos
Eu bebo sem compromisso. Com meu dinheiro. Ninguém tem nada com
isso
Aonde houver garrafa, Aonde houver barril
Presente está a turma do funil!
Porque, As águas vão rolar. Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
Eu passo a mão no saca-saca-saca rolha e bebo até me afogar
O velho na porta da Colombo, é um assombro
Sassaricando . Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só. Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó
Se você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
Pode me faltar tudo na vida. Arroz, feijão e pão
Pode me faltar manteiga e tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor. Disto até acho graça
Só não quero que me falte a danada da cachaça
Tanto riso, oh. Quanta alegria. Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina, No meio da multidão
A mesma máscara negra. Que esconde o teu rosto. Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora. Não me leve a mal. Hoje é carnaval
Quem sabe, sabe. Conhece bem. Como é gostoso gostar de alguém
Ai..... morena / Deixa eu gostar de você
Boêmio, sabe beber / Boêmio, também tem querer
Daqui não saio. Daqui ninguém me tira.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Ser carioca é Fundamental
Depois de 6 anos morando fora do Brasil, decidi voltar ao Rio -ainda que de férias - e voltar a ser carioca. Carioca 100% ... afinal, como diz Millôr Fernandes, ¨ser carioca é essencial¨.
Estou aqui em Buenos Aires fazendo minha mala, pensando no que levar para a Cidade Maravilhosa, em pleno fevereiro. ¨Short, biquini e havaianas¨, é o primeiro que me vem à cabeça. Mas logo descubro que nao tenho o último modelo ¨Slim¨ das famosas sandálias que fazem vingar o carioca contra tudo e contra todos e que é hora de fazer uma visitinha à Salinas. ¨Shorts¨... vestidinhos ... e a fantasia de Colombina compro lá na Casa Turuna¨, concluo.
A ansiedade do pré-embarque me fez embarcar numa viagem imaginária de o que é ser carioca e o que quero fazer no Rio.
Ser carioca é primeiro de tudo sentir calor. Reclamar que nunca faz sol e rezar pela chuva na estiagem ¨para ver se refresca.¨ Confesso que o calor me assusta. Falando com minha família pelo Skype, me dei conta que hoje em dia carioca vive pelado, mesmo nas tradicionais festas de Natal e Ano Novo. Os homens mal esperam os convidados de cerimônia irem embora para tirar a camisa e as mulheres usam decotes cada vez maiores e muita criatividade tentando driblar os 40 graus.
Cabelo? Nem me preocupo em cortar o meu para chegar na moda. Carioca vive com o cabelo puxado para cima e preso com o que aparece na frente, seja uma bic ou um grampo de farmácia.
Maquiagem fica aqui em casa mesmo, já que pelo visto o único produto que carioca passa no rosto é filtro solar - isso nos poucos dias de sol.
Jóias? Nenhuma. ¨Será que posso ir de aliança? ¨ - melhor perguntar a alguém que ¨continue¨ casado. Uns brincos grandes com cara de feira Hippie e fitinha do bonfim acho que resolve. Pronto. A indumentária já está.
Bom, levo meu IPod, claro - nao pelas minhas músicas, mas quero carregar o bichinho com músicas fornecidas por minhas jovens primas que me cantam letras de rolar de rir quando nos falamos por internet: ¨ela só pensa em beijar¨ é a mais elegante que escutei até agora. Carioca gosta de funk. Quero ouvir funk carioca, música sertaneja, pagode, samba e o que mais vier cantado em português. Adeus ao tango, a Charly Garcia e música eletrônica de boate moderninha internacional!
E por falar em samba, quero finalmente aprender a sambar. Quando um carioca mora no exterior é frequentemente intimado a sambar durante as festas e aí dou dois passinhos e digo que sou tímida, evitando pagar o maior mico como uma velha sambando com os dedos indicadores para cima e os peznhos deslizando para o lado! Pensei em aproveitar o carnaval para aprender. Nada de desfilar na Sapucaí, aguento no máximo uma frisa como espectadora. Mas me animo a um bloco de rua, claro que dos mais civilizados. Afinal, nao é fácil voltar a ser carioca. Um bloco na beirinha, meio que saindo, meio chegando, perto da ¨saída de emergência¨. Mas corre o risco de eu nao sambar nada, né? É. Uma idéia pode ser a roda de samba de quinta-feira no Circulo Militar da Praia Vermelha. Se eu te ensino a fazer renda você me ensina a sambar?
Ih, lembrei da Lapa. Finalmente me sinto pronta para ir à Lapa - programa que evitei durante muito tempo, traumatizada pelos anos de trabalho na rua Gomes Freire e as tantas enchentes que me faziam sair do edifício carregada por um assistente de estúdio disfarçado de repórter-perigo, com capa de chuva amarela e botas galocha. Carioca frequenta os bares da Lapa e sinto que fazer isso vai ser como uma liberaçao dos fantasmas do passado.
Já que o assunto é programa de índio que pelo visto virou must, quero conhecer a Ilha de Paquetá, nem que para isso seja preciso enfrentar a barca da Praça XV. Carioca vai a Paqueta? Acho que nao, mas, como dizia o adesivo do Rock in Rio, EU VOU. Quero também ir ao Palacio da Ilha Fiscal e tentar descobrir como os bailes do Império se transformaram em Bailes Funk.
Carioca vive de praia e de sol. Na verdade, levanta da cama, abre a janela e aí decide se está de bom ou mal humor. Quero ir à Prainha recordar meus tempos de adolescente que matava aula com os amigos surfistas e se enrolava em cangas balinesas como muçulmana para nao voltar queimada para casa em plena segunda-feira, quero passear no calçadao no domingo e encontrar ¨Deus e o mundo¨ andando para lá e para cá, doar a pontinha da canga para um amigo, tomar água de côco olhando o Dois Irmaos e depois comer aquela carninha da fruta com a própria casca.
Quero tomar chopp no Jobi com exatos dois dedos de espuma sem ter que falar nada com o garçom, caipirinha sem se preocupar se o barman sabe fazer e que nao vai agregar um licor de menta, pedir cerveja e saber que a garrafa vai chegar estupidamente gelada sem ter que implorar por isso, nao ter dúvidas de que a coca light já vem com gelo para a mesa, mate leao sem bombilla cheia de erva saindo pelos buraquinhos, sentar numa mesa de bar num momento de solidao e ter certeza que mais cedo ou mais tarde aparece alguém para puxa papo e arrancar um sorriso do meu rosto. Quando se está fora do Rio muito tempo dá até saudades de peao de obra te chamando de ¨gostosa¨ e de gari te chamando de ¨minha linda¨.
Quero comer bolinho de bacalhau na calçada do Bracarense ou um boteco qualquer, Ovomaltine no Bobs do posto do Mistura Fina, salada de batata frita no Gula-Gula da Anibal, demorar horas para escolher uma vitamina no Balada, sem ter que me contentar com ¨naranja o pomelo¨, comprar amanditas no Posto, picolé de limao da Kibon na praia para tirar o gosto do biscoito Globo, batida de coco do Oswaldo ou de um descendente, brigadeiro enrolado por outra pessoa sem importar se ela lavou a mao antes disso...
Quero comer salsicha recheada na Colombo lebrando do meu avô, carne com molho sem pensar que é pecado disfarçar o gosto da vaca com um molho de mostarda, olhar a Lagoa de um quiosque onde o chique comer em marmita, e na volta para casa, ultrapassar o sinal fechado cantarolando Adriana Calcanhoto,,
Quero falar ¨maix xiado¨ do que nunca, mais cantado do que sempre, com mais R que francês. Quero chamar meu computador de lépi-tópi, fazer píki-níki no Parki Lági, viajar de Várigui tomando guaraná.
Quero passear no Shopping da Gávea num dia de chuva, encontrar um amigo e tomar chopp no Árabe e terminar a noite dizendo ¨passa lá em casa¨, mesmo sem ter casa no Brasil. Carioca marca programa sem combinar dia e hora, chega tarde sem culpa, e se despede sempre dizendo: ¨me liga¨ sem nunca ter dado o número do telefone.
Quero atender o telefone falando ¨alô¨ e nao ¨hola¨ e me despedir com o típico ¨´tao tá ... beiiiiiiiju¨.
Quero andar na Garcia Dávila e tomar um suco de mil frutas, folhear livros na Letras e Expressoes, almocar na Livraria da Travessa depois de ver as novidades em cds, xeretar as lojas do final do Leblon e cumprimentar um artista da Globo que nunca conheci como se fosse um amigo.
Quero fazer escova progressiva em qualquer cabeleireiro sem ter que importar a pasta de formol clandestinamente.
Quero almoçar em casa sem ter que fazer comida, usar uma roupa e saber que no dia seguinte ela vai aparecer lavada e passada dentro do armário, estar morta de calor e ver a Dora aparecer com uma limonada, ouvir a tesoura de minha mae cortando tecidos enquanto vejo novela das oito sem um dia de atraso.
Quero andar nas Paineras e ver ¨verdadeiras¨ palmeiras tropicais, passear no jardim botânico procurando mico em árvore e contando orquídeas, sentir cheiro de jaca no Parque Lage.
Ser carioca é se esquecer que vive na cidade mais bonita do mundo, mas lembrar disso cada vez que volta de uma viagem.
E quando a programaçao acabar, sempre posso cruzar a ponte e ver o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, subir a serra e passar o dia na casa da família em Petrópolis, ou quem sabe, fugir para Tiradentes, Búzios ou Angra.
Quero, acima de tudo, voltar a ser carioca, de corpo e alma. Carioca da gema.
Afinal, os outros que me perdoem, mas ser carioca é fundamental...
Estou aqui em Buenos Aires fazendo minha mala, pensando no que levar para a Cidade Maravilhosa, em pleno fevereiro. ¨Short, biquini e havaianas¨, é o primeiro que me vem à cabeça. Mas logo descubro que nao tenho o último modelo ¨Slim¨ das famosas sandálias que fazem vingar o carioca contra tudo e contra todos e que é hora de fazer uma visitinha à Salinas. ¨Shorts¨... vestidinhos ... e a fantasia de Colombina compro lá na Casa Turuna¨, concluo.
A ansiedade do pré-embarque me fez embarcar numa viagem imaginária de o que é ser carioca e o que quero fazer no Rio.
Ser carioca é primeiro de tudo sentir calor. Reclamar que nunca faz sol e rezar pela chuva na estiagem ¨para ver se refresca.¨ Confesso que o calor me assusta. Falando com minha família pelo Skype, me dei conta que hoje em dia carioca vive pelado, mesmo nas tradicionais festas de Natal e Ano Novo. Os homens mal esperam os convidados de cerimônia irem embora para tirar a camisa e as mulheres usam decotes cada vez maiores e muita criatividade tentando driblar os 40 graus.
Cabelo? Nem me preocupo em cortar o meu para chegar na moda. Carioca vive com o cabelo puxado para cima e preso com o que aparece na frente, seja uma bic ou um grampo de farmácia.
Maquiagem fica aqui em casa mesmo, já que pelo visto o único produto que carioca passa no rosto é filtro solar - isso nos poucos dias de sol.
Jóias? Nenhuma. ¨Será que posso ir de aliança? ¨ - melhor perguntar a alguém que ¨continue¨ casado. Uns brincos grandes com cara de feira Hippie e fitinha do bonfim acho que resolve. Pronto. A indumentária já está.
Bom, levo meu IPod, claro - nao pelas minhas músicas, mas quero carregar o bichinho com músicas fornecidas por minhas jovens primas que me cantam letras de rolar de rir quando nos falamos por internet: ¨ela só pensa em beijar¨ é a mais elegante que escutei até agora. Carioca gosta de funk. Quero ouvir funk carioca, música sertaneja, pagode, samba e o que mais vier cantado em português. Adeus ao tango, a Charly Garcia e música eletrônica de boate moderninha internacional!
E por falar em samba, quero finalmente aprender a sambar. Quando um carioca mora no exterior é frequentemente intimado a sambar durante as festas e aí dou dois passinhos e digo que sou tímida, evitando pagar o maior mico como uma velha sambando com os dedos indicadores para cima e os peznhos deslizando para o lado! Pensei em aproveitar o carnaval para aprender. Nada de desfilar na Sapucaí, aguento no máximo uma frisa como espectadora. Mas me animo a um bloco de rua, claro que dos mais civilizados. Afinal, nao é fácil voltar a ser carioca. Um bloco na beirinha, meio que saindo, meio chegando, perto da ¨saída de emergência¨. Mas corre o risco de eu nao sambar nada, né? É. Uma idéia pode ser a roda de samba de quinta-feira no Circulo Militar da Praia Vermelha. Se eu te ensino a fazer renda você me ensina a sambar?
Ih, lembrei da Lapa. Finalmente me sinto pronta para ir à Lapa - programa que evitei durante muito tempo, traumatizada pelos anos de trabalho na rua Gomes Freire e as tantas enchentes que me faziam sair do edifício carregada por um assistente de estúdio disfarçado de repórter-perigo, com capa de chuva amarela e botas galocha. Carioca frequenta os bares da Lapa e sinto que fazer isso vai ser como uma liberaçao dos fantasmas do passado.
Já que o assunto é programa de índio que pelo visto virou must, quero conhecer a Ilha de Paquetá, nem que para isso seja preciso enfrentar a barca da Praça XV. Carioca vai a Paqueta? Acho que nao, mas, como dizia o adesivo do Rock in Rio, EU VOU. Quero também ir ao Palacio da Ilha Fiscal e tentar descobrir como os bailes do Império se transformaram em Bailes Funk.
Carioca vive de praia e de sol. Na verdade, levanta da cama, abre a janela e aí decide se está de bom ou mal humor. Quero ir à Prainha recordar meus tempos de adolescente que matava aula com os amigos surfistas e se enrolava em cangas balinesas como muçulmana para nao voltar queimada para casa em plena segunda-feira, quero passear no calçadao no domingo e encontrar ¨Deus e o mundo¨ andando para lá e para cá, doar a pontinha da canga para um amigo, tomar água de côco olhando o Dois Irmaos e depois comer aquela carninha da fruta com a própria casca.
Quero tomar chopp no Jobi com exatos dois dedos de espuma sem ter que falar nada com o garçom, caipirinha sem se preocupar se o barman sabe fazer e que nao vai agregar um licor de menta, pedir cerveja e saber que a garrafa vai chegar estupidamente gelada sem ter que implorar por isso, nao ter dúvidas de que a coca light já vem com gelo para a mesa, mate leao sem bombilla cheia de erva saindo pelos buraquinhos, sentar numa mesa de bar num momento de solidao e ter certeza que mais cedo ou mais tarde aparece alguém para puxa papo e arrancar um sorriso do meu rosto. Quando se está fora do Rio muito tempo dá até saudades de peao de obra te chamando de ¨gostosa¨ e de gari te chamando de ¨minha linda¨.
Quero comer bolinho de bacalhau na calçada do Bracarense ou um boteco qualquer, Ovomaltine no Bobs do posto do Mistura Fina, salada de batata frita no Gula-Gula da Anibal, demorar horas para escolher uma vitamina no Balada, sem ter que me contentar com ¨naranja o pomelo¨, comprar amanditas no Posto, picolé de limao da Kibon na praia para tirar o gosto do biscoito Globo, batida de coco do Oswaldo ou de um descendente, brigadeiro enrolado por outra pessoa sem importar se ela lavou a mao antes disso...
Quero comer salsicha recheada na Colombo lebrando do meu avô, carne com molho sem pensar que é pecado disfarçar o gosto da vaca com um molho de mostarda, olhar a Lagoa de um quiosque onde o chique comer em marmita, e na volta para casa, ultrapassar o sinal fechado cantarolando Adriana Calcanhoto,,
Quero falar ¨maix xiado¨ do que nunca, mais cantado do que sempre, com mais R que francês. Quero chamar meu computador de lépi-tópi, fazer píki-níki no Parki Lági, viajar de Várigui tomando guaraná.
Quero passear no Shopping da Gávea num dia de chuva, encontrar um amigo e tomar chopp no Árabe e terminar a noite dizendo ¨passa lá em casa¨, mesmo sem ter casa no Brasil. Carioca marca programa sem combinar dia e hora, chega tarde sem culpa, e se despede sempre dizendo: ¨me liga¨ sem nunca ter dado o número do telefone.
Quero atender o telefone falando ¨alô¨ e nao ¨hola¨ e me despedir com o típico ¨´tao tá ... beiiiiiiiju¨.
Quero andar na Garcia Dávila e tomar um suco de mil frutas, folhear livros na Letras e Expressoes, almocar na Livraria da Travessa depois de ver as novidades em cds, xeretar as lojas do final do Leblon e cumprimentar um artista da Globo que nunca conheci como se fosse um amigo.
Quero fazer escova progressiva em qualquer cabeleireiro sem ter que importar a pasta de formol clandestinamente.
Quero almoçar em casa sem ter que fazer comida, usar uma roupa e saber que no dia seguinte ela vai aparecer lavada e passada dentro do armário, estar morta de calor e ver a Dora aparecer com uma limonada, ouvir a tesoura de minha mae cortando tecidos enquanto vejo novela das oito sem um dia de atraso.
Quero andar nas Paineras e ver ¨verdadeiras¨ palmeiras tropicais, passear no jardim botânico procurando mico em árvore e contando orquídeas, sentir cheiro de jaca no Parque Lage.
Ser carioca é se esquecer que vive na cidade mais bonita do mundo, mas lembrar disso cada vez que volta de uma viagem.
E quando a programaçao acabar, sempre posso cruzar a ponte e ver o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, subir a serra e passar o dia na casa da família em Petrópolis, ou quem sabe, fugir para Tiradentes, Búzios ou Angra.
Quero, acima de tudo, voltar a ser carioca, de corpo e alma. Carioca da gema.
Afinal, os outros que me perdoem, mas ser carioca é fundamental...
pd: este texto contou com a colaboraçao dos amigos do Rio, que por e-mail me fizeram lembrar o que é ser carioca antes de aterrissar no Tom Jobim.
Por; Patricia Salamonde (minha madrinha)
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Carioca
Me perguntaram o que é ser carioca!
Depois de pensar, pensar, poderia dar diversas descrições:
O carioca tem alma de malandro.
Vive a espera do sol. Quer praia, cervejinha com os amigos, uma barraca e uma cadeira. Quer por do sol no Arpoador.
Quer um pós praia num barzinho, Bracarense, Jobi e derivados. Chope gelado e petiscos diversos.
Gargalhada é palavra chave no nosso vocabulário.
Carioca tem vida, e sede de viver.
Carioca gosta de bloco de rua, de bagunça sem confusão. Na verdade queremos sempre diversão!
Somos samba e futebol, somos euforia, somos pele, somos intensos na maneira de ser e de viver.
Carioca é saúde, é corrida na praia, fut-volei na areia, bike na lagoa.
Definitivamente; Ser Carioca é praticamente um estado de espírito!
Tenho o sol da alegria, tenho o dom da boemia. Com dinheiro ou sem dinheiro, ta tranquilo,
Mas invadem minha praia, atravessam meu caminho. Mas tenho bom coração, felicidade é meu lema
Todos os sabem que eu sou, sou carioca da gema
Sonhador de pé no chão, minha cidade é um poema. Todos sabem que eu sou, sou carioca
Que paga promessa, que bate tambor
Que sobe na Penha e no Redentor
Que toca tantã, tira onda e grita no Maracanã
O bom carioca não muda de idéia nem barra ninguém. Namora na Quinta e morre de amor
Mas tem piedade se vê muita dor
É maravilhoso, não me leve a mal
Meu Rio é festa, é cartão-postal"
Beth carvalho
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