Foi um reencontro inesperado. Nunca imaginaram que pudessem se esbarrar ali. Não sabem exatamente o porque, mas não acharam que seria naquela noite.
Ao sair do trabalho, ela resolveu que faria umas compras no supermercado. Coisas básicas para quem mora sozinha. Entre as compras estava um bom vinho e pipocas, na sua concepção, ótimos ingredientes para acompanhar um bom filme ou um bom livro. Foi isso que decidiu buscar. Foi então à livraria. Aquela, que sempre freqüenta. Lá pode folhear as revistas que acaba comprando para seu trabalho e pode dedicar algum tempo na escolha de um bom livro. Foi ai que tudo aconteceu. Como na cena de um filme, ela estica a mão para pegar o livro e outra vem na mesma direção, quando se alcançam um olha para o outro e pedem desculpas. Ao se olhar, sorriram. Um sorriso de desculpas e ao mesmo tempo assustado. Como poderiam se encontrar ali, depois de algum tempo sem se falar e para pegar o mesmo livro. Ele deixou que ela o pegasse. Mas a atenção naquele momento não era mais para o livro, que estava nas mãos dela. Mas para o diálogo que se iniciava entre eles.
Ele perguntou do trabalho, da família dela, por onde ela andava, já que estava sumida dos lugares que aparecia com freqüência... Ela falou da mudança de alguns hábitos, das boas novas em seu trabalho, também perguntou pela sua família e como era costume entre eles, o papo fluiu de maneira normal. Ele então a convidou para um café. Ali mesmo, no andar de cima da livraria. Ela aceitou.
Falaram de tantas coisas. Ele das viagens que fez recentemente, ela das que tanto deseja fazer, mas não pelo trabalho porque gostaria de ter mais tempo para aproveitar. Lembraram de quando ele tentou ensiná-la a tocar violão, a desgraça que foi. Mas riram também ao lembrar da revelação que foi quando ela decidiu somente na voz o acompanhar. Um dom que não conhecia, pois a mania vinha de cantar sozinha, no chuveiro.
Trocaram comentários dos últimos livros lidos por cada um, falaram de textos lidos na internet, começaram um papo sobre política, mas nesse quesito ele deu de ombros, pois não entendia nada e nem fazia questão de a parte ficar. Ele tentou começar um papo, meio que sondando se ela estava sozinha, mas rapidamente ela inverteu a conversa e falou sobre um filme espetacular que tinha visto. E ali ficaram um tempo. Ele sabia ainda como pedir o café para ela, com um pouco de creme, sem açúcar e um pacotinho de adoçante. Foram quase três para cada ao longo da conversa. Até que ele sugeriu que, já que ali estavam, porque não mudavam de lugar e passassem para o japonês ali perto. Ele sabia de seu vício pela culinária japonesa e tinha a certeza de que esse convite ela não ia recusar. Sem pensar duas vezes, ela agradeceu o convite, falou que a conversa estava ótima, mas que ainda tinha que terminar uns desenhos para o trabalho para apresentar na manhã seguinte em uma reunião. Surpreso, ele riu. Perguntou se então poderia ligar para marcar um jantar, e ela falou que achava melhor não. Que o acaso ficaria responsável por fazer com que se encontrassem de novo, como tinha acontecido naquela noite. Surpreso, novamente, ele sorriu. Se despediram e ela partiu.
E partiu feliz. Tinha a certeza de que não se arrependeria por ter recusado o convite. Às vezes é necessário tomar decisões que nos farão bem, e só. E foi isso que fez. Dessa vez, foi ela quem sorriu.
“Tinha sido apenas um sorriso e nada mais. As coisas não iriam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo. Me agarrei aquilo. Com os braços bem abertos, porque quando chega a primavera, a neve vai derretendo floco a floco, e talvez, eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derretia. Com sorriso nos lábios, saí correndo. Apenas saí correndo.” - (O caçador de Pipas)
Ao sair do trabalho, ela resolveu que faria umas compras no supermercado. Coisas básicas para quem mora sozinha. Entre as compras estava um bom vinho e pipocas, na sua concepção, ótimos ingredientes para acompanhar um bom filme ou um bom livro. Foi isso que decidiu buscar. Foi então à livraria. Aquela, que sempre freqüenta. Lá pode folhear as revistas que acaba comprando para seu trabalho e pode dedicar algum tempo na escolha de um bom livro. Foi ai que tudo aconteceu. Como na cena de um filme, ela estica a mão para pegar o livro e outra vem na mesma direção, quando se alcançam um olha para o outro e pedem desculpas. Ao se olhar, sorriram. Um sorriso de desculpas e ao mesmo tempo assustado. Como poderiam se encontrar ali, depois de algum tempo sem se falar e para pegar o mesmo livro. Ele deixou que ela o pegasse. Mas a atenção naquele momento não era mais para o livro, que estava nas mãos dela. Mas para o diálogo que se iniciava entre eles.
Ele perguntou do trabalho, da família dela, por onde ela andava, já que estava sumida dos lugares que aparecia com freqüência... Ela falou da mudança de alguns hábitos, das boas novas em seu trabalho, também perguntou pela sua família e como era costume entre eles, o papo fluiu de maneira normal. Ele então a convidou para um café. Ali mesmo, no andar de cima da livraria. Ela aceitou.
Falaram de tantas coisas. Ele das viagens que fez recentemente, ela das que tanto deseja fazer, mas não pelo trabalho porque gostaria de ter mais tempo para aproveitar. Lembraram de quando ele tentou ensiná-la a tocar violão, a desgraça que foi. Mas riram também ao lembrar da revelação que foi quando ela decidiu somente na voz o acompanhar. Um dom que não conhecia, pois a mania vinha de cantar sozinha, no chuveiro.
Trocaram comentários dos últimos livros lidos por cada um, falaram de textos lidos na internet, começaram um papo sobre política, mas nesse quesito ele deu de ombros, pois não entendia nada e nem fazia questão de a parte ficar. Ele tentou começar um papo, meio que sondando se ela estava sozinha, mas rapidamente ela inverteu a conversa e falou sobre um filme espetacular que tinha visto. E ali ficaram um tempo. Ele sabia ainda como pedir o café para ela, com um pouco de creme, sem açúcar e um pacotinho de adoçante. Foram quase três para cada ao longo da conversa. Até que ele sugeriu que, já que ali estavam, porque não mudavam de lugar e passassem para o japonês ali perto. Ele sabia de seu vício pela culinária japonesa e tinha a certeza de que esse convite ela não ia recusar. Sem pensar duas vezes, ela agradeceu o convite, falou que a conversa estava ótima, mas que ainda tinha que terminar uns desenhos para o trabalho para apresentar na manhã seguinte em uma reunião. Surpreso, ele riu. Perguntou se então poderia ligar para marcar um jantar, e ela falou que achava melhor não. Que o acaso ficaria responsável por fazer com que se encontrassem de novo, como tinha acontecido naquela noite. Surpreso, novamente, ele sorriu. Se despediram e ela partiu.
E partiu feliz. Tinha a certeza de que não se arrependeria por ter recusado o convite. Às vezes é necessário tomar decisões que nos farão bem, e só. E foi isso que fez. Dessa vez, foi ela quem sorriu.
“Tinha sido apenas um sorriso e nada mais. As coisas não iriam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo. Me agarrei aquilo. Com os braços bem abertos, porque quando chega a primavera, a neve vai derretendo floco a floco, e talvez, eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derretia. Com sorriso nos lábios, saí correndo. Apenas saí correndo.” - (O caçador de Pipas)
