E ficou decidido assim.
Depois daquela noite, teve a certeza de que era necessário o recomeço. Tinha que ser logo. Não tinha tempo para fazer planos. De repente, tempo até tinha, mas não podia lhe faltar a coragem de agora.
Na insônia, no meio da madrugada, quase ao amanhecer, ainda não tinha ao certo o destino. Então, escolheu Paris para começar. Depois Barcelona para tentar se estabelecer. (só alterou um pouco o caminho porque será necessário no caminho para Paris, passar em Seattle para se despedir de um casal por quem tem imenso carinho e que teve a triste notícia de que estão muito mal de saúde. A notícia lhe caiu como uma bomba nessa difícil manhã de segunda-feira. Lembra como se fosse hoje quando à ela mostraram a neve caindo e encostaram o carro para que pudesse senti-la cair...)
Entre as lágrimas e soluços, comprou as passagens pela internet, fez as malas, pagou as contas antecipadamente, porque como sempre, mesmo na hora da difícil decisão da partida não queria deixar pendências para que fossem resolvidas por outros e nem pedir ajuda.
Sem saber ao certo o que fazer com seu apartamento, porque não sabe quanto tempo ficará fora. (se tudo der certo, pode ser que volte de férias, ou por necessidade faça rápidas passagens.) Só sabia que não queria mais pensar. Trancaria com as chaves e um dia resolveria o que fazer.
Como colocar tudo aquilo em malas. Não tinha como. São muitas histórias, muitas pessoas, muitos momentos, muitas recordações. E por mais que ame isso tudo, é exatamente disso tudo que precisava se afastar. Contraditório sim, até para ela mesma, e essa era uma das infinitas certezas que gostaria de ter nesse momento.
Os soluços aumentam e as lágrimas pulam de seus olhos, uma dor no peito que não saberia explicar. Um desabafo. Acho que era isso. Um choro compulsivo que nada fazia calar. E não adianta que perguntem, por quem, ou pelo o que. Não existe o quem, existe um conjunto de fatores que a fizeram tomar essa difícil decisão. De repente até pela falta de.
Ser forte demais às vezes atrapalha e não poderia se demonstrar fraca. Como ficaria sua moral, sua independência, seu discurso de vida. E como explicar não saber onde está aquela felicidade que normalmente lhe pula dos olhos. Que transborda e contagia. Como explicar que nesse momento parece que lhe roubaram a alma e que não sabe o que fazer e com o resto.
Por isso a decisão da partida.
E sem despedidas, porque odeia.
Um dia irão entender.
É enorme a saudade que sentirá de sua família, pais, irmãos e tudo mais. Como pensar que não terá o chope em breve com seus amigos. A praia, o samba (sim, o samba), as conversas de horas, as risadas. Como acreditar que durante um longo período tudo isso será lembrança e saudade. Ficará um vazio dentro de si. Talvez. Talzez não, é uma das poucas certezas que tem. Mas o vazio agora é tão grande que dói o estrago que faz.
Pediu demissão no trabalho, uma das tarefas mais difíceis pois como largar tudo depois de tanto esforço para conquistar o posto ao qual chegou. Como explicar para seu chefe o porque de sua decisão. Como explicar um nó que nem ela mesmo esta sabendo desvendar. Como largar aquilo que ama fazer sem saber se na Espanha conseguirá trabalhar. Mesmo na dúvida, fez.
Dali o táxi a levará ao aeroporto e depois do embarque, todos saberão que partiu. E um dia, quem sabe, entenderão.
Ela precisava tentar. Senão aqui, que fosse longe. Mas ela queria saber se era possível ser feliz. Não que não fosse. Sabe que tem coisas que muitos sonham, uma família incrível e amigos que não tem preço. Mas a felicidade que procurava nesse momento era saber se seria possível ser feliz com alguém, em algum lugar.
O risco é tudo dar errado. Ai então, ela volta. E como hoje, tudo que mais vai querer é o colo de sua mãe, poder chorar em silêncio. Ter o abraço e o carinho dos amigos, (que como naquela noite, a colocaram no colo na escada do prédio, sentaram ao seu redor, na calçada e depois a colocaram para dormir) e o apoio de quem lhe quer bem.
Assim é a vida. E aqui fica a despedida.
Um dia, nos veremos de novo.
Depois daquela noite, teve a certeza de que era necessário o recomeço. Tinha que ser logo. Não tinha tempo para fazer planos. De repente, tempo até tinha, mas não podia lhe faltar a coragem de agora.
Na insônia, no meio da madrugada, quase ao amanhecer, ainda não tinha ao certo o destino. Então, escolheu Paris para começar. Depois Barcelona para tentar se estabelecer. (só alterou um pouco o caminho porque será necessário no caminho para Paris, passar em Seattle para se despedir de um casal por quem tem imenso carinho e que teve a triste notícia de que estão muito mal de saúde. A notícia lhe caiu como uma bomba nessa difícil manhã de segunda-feira. Lembra como se fosse hoje quando à ela mostraram a neve caindo e encostaram o carro para que pudesse senti-la cair...)
Entre as lágrimas e soluços, comprou as passagens pela internet, fez as malas, pagou as contas antecipadamente, porque como sempre, mesmo na hora da difícil decisão da partida não queria deixar pendências para que fossem resolvidas por outros e nem pedir ajuda.
Sem saber ao certo o que fazer com seu apartamento, porque não sabe quanto tempo ficará fora. (se tudo der certo, pode ser que volte de férias, ou por necessidade faça rápidas passagens.) Só sabia que não queria mais pensar. Trancaria com as chaves e um dia resolveria o que fazer.
Como colocar tudo aquilo em malas. Não tinha como. São muitas histórias, muitas pessoas, muitos momentos, muitas recordações. E por mais que ame isso tudo, é exatamente disso tudo que precisava se afastar. Contraditório sim, até para ela mesma, e essa era uma das infinitas certezas que gostaria de ter nesse momento.
Os soluços aumentam e as lágrimas pulam de seus olhos, uma dor no peito que não saberia explicar. Um desabafo. Acho que era isso. Um choro compulsivo que nada fazia calar. E não adianta que perguntem, por quem, ou pelo o que. Não existe o quem, existe um conjunto de fatores que a fizeram tomar essa difícil decisão. De repente até pela falta de.
Ser forte demais às vezes atrapalha e não poderia se demonstrar fraca. Como ficaria sua moral, sua independência, seu discurso de vida. E como explicar não saber onde está aquela felicidade que normalmente lhe pula dos olhos. Que transborda e contagia. Como explicar que nesse momento parece que lhe roubaram a alma e que não sabe o que fazer e com o resto.
Por isso a decisão da partida.
E sem despedidas, porque odeia.
Um dia irão entender.
É enorme a saudade que sentirá de sua família, pais, irmãos e tudo mais. Como pensar que não terá o chope em breve com seus amigos. A praia, o samba (sim, o samba), as conversas de horas, as risadas. Como acreditar que durante um longo período tudo isso será lembrança e saudade. Ficará um vazio dentro de si. Talvez. Talzez não, é uma das poucas certezas que tem. Mas o vazio agora é tão grande que dói o estrago que faz.
Pediu demissão no trabalho, uma das tarefas mais difíceis pois como largar tudo depois de tanto esforço para conquistar o posto ao qual chegou. Como explicar para seu chefe o porque de sua decisão. Como explicar um nó que nem ela mesmo esta sabendo desvendar. Como largar aquilo que ama fazer sem saber se na Espanha conseguirá trabalhar. Mesmo na dúvida, fez.
Dali o táxi a levará ao aeroporto e depois do embarque, todos saberão que partiu. E um dia, quem sabe, entenderão.
Ela precisava tentar. Senão aqui, que fosse longe. Mas ela queria saber se era possível ser feliz. Não que não fosse. Sabe que tem coisas que muitos sonham, uma família incrível e amigos que não tem preço. Mas a felicidade que procurava nesse momento era saber se seria possível ser feliz com alguém, em algum lugar.
O risco é tudo dar errado. Ai então, ela volta. E como hoje, tudo que mais vai querer é o colo de sua mãe, poder chorar em silêncio. Ter o abraço e o carinho dos amigos, (que como naquela noite, a colocaram no colo na escada do prédio, sentaram ao seu redor, na calçada e depois a colocaram para dormir) e o apoio de quem lhe quer bem.
Assim é a vida. E aqui fica a despedida.
Um dia, nos veremos de novo.
8 comentários:
Vc vai embora?
Se desejos podem ser considerados realidade, sim. Caso a realidade não seja exatamente aquilo que gostariamos de estar vivendo agora, não. =P
Será que consegui responder?
Lora, se essa é sua vontade, só posso apoiar. Mas não tem idéia da falta que fará! bjos
A.P., hehe, nem na ficção eu deixo você abandonar a feijoada do Império - e setembro já vem aí, ora... (E resta ainda o brinde a Plutão - esqueceu-se, hehe)?
Respondeu: Vc está aqui, mas seu coração não.....
Meu cora;ão esta aqui tb B.M., so acho que esta um pouco mais vazio do que eu gostaria. Mas nada que com o tempo, nao se resolva. Meu Shrek deve estar perdido no pantano, hehehhehe
Tudo bem. Espero. Enquanto isso, como bem lembrou C.A., vamos ao samba? E ao brinde a Plutão!?
A FELICIDADE NAO ESTA EM LUGARES DIFERENTES, ENCONTRE ELA DENTRO DE VOCE E MESMO AQUI SERAS FELIZ.
Concordo com o último depoimento, amiga.
Pra viajar, sumir, antes temos de estar em paz com nós mesmas. Todas já passamos por momentos de não saber pq choramos, mas ter força pra encarar e descobrir é o q nos faz levantar e ficar pronta pras próximas surpresas que a vida nos trará.
beijoss.
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